Não tinha noção que uma simples pergunta e - para mim - de óbvia resposta poderia trazer tanta celeuma. A fatídica pergunta ocorre normalmente nos dias de prova: "- Professor, posso responder com minhas próprias palavras?". A resposta obviamente é positiva, visto não ser justo obrigar (e nem é o objetivo de ensino) o aluno a memorizar conceitos de determinado autor. Infelizmente há quem confunda responder com suas próprias palavras com "responder o que eu acho da pergunta e como aceitou que eu respondesse com minhas próprias palavras tem que aceitar como respondi". Isso me deixa perplexo por não saber se fazem isso por esperteza com o intuito de me enrolar (tipo vou ver se cola) ou pensam mesmo que numa prova eu aceitaria todas as respostas que não tinham nada a ver com o conceito que havia passado em minhas aulas. Se a resposta verdadeira for o primeiro pressuposto, não obtiveram o sucesso esperado (apenas me deixaram bem estressado, mas é do ofício). Se a questão se refere ao segundo pressuposto, fico triste em perceber o baixo nível de compreensão de uma parte dos alunos.
Assim creio que deva explicar a grande diferença da expressão "responder com minhas palavras" para "aceitarei tudo o que pensar que é verdade sobre a resposta". Quando falo que pode escrever com suas palavras, apenas permito que utilize seu córtex cerebral para adaptar o conceito do autor ao que pensas sobre o mesmo (ou seja, estás parafraseando o autor do conceito).
Jamais poderia aceitar tudo o que pensas sobre a resposta de dada questão da prova como algo verdadeiro (inclusive se esquecer o conceito completo e deixa-o pela metade sem qualquer entendimento possível do mesmo).
Este infortúnio acabou por mudar a minha perspectiva de avaliação dos alunos. Infelizmente os justos pagam pelos pecadores. De agora em diante só farei questões objetivas: sem chance de reclamação, muito menos enchimento de linguiça. Sem contar as valiosas horas do meu dia que perco corrigindo e fazendo das tripas coração para tentar imaginar o que está escrito na prova - sempre tem aqueles alunos com dons para ser médico, nem que seja só na escrita.
Fica aqui meu desabafo e sei que não é exclusividade minha este dissabor, não é queridos amigos professores?

Nenhum comentário:
Postar um comentário